As RUP introduzem a ultraperiferia na agenda europeia do Brexit

12/03/2018

O Presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, informou o negociador da União Europeia (UE) para as questões do “Brexit”, Michel Barnier, sobre a preocupação da comunidade espanhola e as outras regiões ultraperiféricas, o impacto negativo potencial que vai sofrer a sua economia devido à saída do Reino Unido em bloco da UE, prevista para 2019.

O chefe do Executivo das Canárias, que assistiu a esta reunião como presidente da Conferência dos Presidentes das RUP, explicou detalhadamente a situação destas regiões como as regiões europeias mais vulneráveis, tanto em face de uma partida desordenada do Reino Unido, como contra qualquer cenário de deterioração das futuras relações entre a UE e o Reino Unido como país terceiro.

Fernando Clavijo enviou há alguns meses uma carta e vários relatórios preliminares para Michel Barnier sobre as consequências do Brexit para diversos setores da economia das Ilhas Canárias (turismo, agricultura, imobiliário, etc.), com os documentos preparados pela comissão de trabalho criada nas Ilhas para acompanhar este processo. A essa carta, Barnier respondeu, afirmando textualmente que é “muito sensível aos interesses das regiões ultraperiféricas, cujas especificidades” conhece “muito bem”.

A reunião também contou com a presença do Vice-Ministro da Economia e Assuntos Económicos com a União Europeia, Ildefonso Socorro, que informou Barnier da preocupação do resto das RUP, e entregou um relatório sobre o impacto concreto do “Brexit” nas Canárias e na Madeira.

“Existem departamentos franceses ultramarinos nas Caraíbas, como Guadalupe, Martinica e Saint-Martin, eles têm uma relação muito especial com os países e territórios ultramarinos britânicos e têm uma preocupação muito grande de como isto pode afetar o “Brexit” e as suas relações”, comentou.

Clavijo considera “importante” que as RUP possam mostrar em primeira mão as suas singularidades e, como tal, disse que “temos recebido de Barnier, que tem sido Comissário para a Política Regional, uma receção muito favorável para a nossa situação.”