Guadalupe

Descrição territorial e geopolítica

 

Localizado no arco das Antilhas, a cerca de 6.762 quilómetros da França metropolitana, Guadalupe é um arquipélago com 1.628 km² composto por seis ilhas habitadas, cada uma com as suas próprias singularidades: Grande-Terre, Basse-Terre, Marie Galante, Les Saintes, Désirade.

A diversidade do seu património natural é a maior riqueza do arquipélago. Do Soufrière, o vulcão mais alto das Pequenas Antilhas, e os seus maciços florestais até às ilhas de mangue de Grand Cul-de-Sac Marin, Guadalupe é um centro de biodiversidade. A existência do Parque Nacional de Guadalupe, designado como Reserva de Biosfera pela UNESCO, também lhe confere um reconhecimento internacional.

Com uma grande diversidade de povos e culturas, ao longo da sua história, o arquipélago de Guadalupe é marcado por uma multiplicidade cultural que tem contribuído para a construção da sua identidade. Esta identidade baseia-se numa série de usos e costumes, como a música Gwo-ka, declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade, o Carnaval, e as diferentes cerimónias das comunidades que a constituem: indiana, libanesa e haitiana. O arquipélago destaca-se pela sua exuberância e abundância cultural, desde a música à pintura, passando pela literatura.

Com o seu aeroporto internacional Pôle Caraïbes, que liga o arquipélago com as Américas, as Caraíbas e a Europa, Guadalupe está aberta ao mundo e ao comércio. Com quase 2,4 milhões de passageiros em 2017, o aeroporto aproxima-se do seu objetivo, que consiste em tornar-se o centro europeu de tráfego das Caraíbas. Atualmente, está em fase de expansão, com a extensão da pista e do terminal. O Grande Porto de Guadalupe, o sexto porto francês para contentores, contribui para a criação de riqueza e comércio ao nível local.

Guadalupe, uma região ultraperiférica francesa, afirma a sua posição estratégica estabelecendo-se como uma ponte entre as Caraíbas e a Europa. O arquipélago projetou-se, à escala nacional e internacional, ao receber, em 2017, 649.891 turistas. Guadalupe é um destino de cruzeiros com grande potencial: o projeto Karukera Bay atesta isso mesmo, uma vez que pretende expandir os cais de cruzeiro para acolher navios maiores, mas também para facilitar o acesso e receção de turistas graças a uma marina, restaurantes e uma avenida pedonal.

Jarry, a terceira maior zona industrial da França e centro económico da ilha, contribui para o desenvolvimento do território com 15.000 postos de trabalho, contudo, Guadalupe também está a passar por grandes dificuldades económicas. Uma das suas prioridades é impulsionar a atividade económica através da investigação e da inovação, o apoio às empresas, e o desenvolvimento de viveiros. A outra prioridade é formar jovens para as profissões do futuro, o que também garantirá a atratividade do território. Como tal, a Região de Guadalupe apoia, particularmente, o crescimento verde e azul, as energias renováveis, o desenvolvimento de oferta turística com a Universidade das Antilhas, os transportes, o desporto através do centro de excelência CREPS, e tem vindo a empenhar-se na estruturação de uma indústria audiovisual e cinematográfica.

O arquipélago de Guadalupe é, sem dúvida, uma terra de desporto onde emergem campeões do futuro, apoiando-se em pontos fortes como: adeptos das atividades desportivas, o aumento de equipamentos de qualidade em todo o território e treinadores com formação e dinamismo. Guadalupe também é palco para grandes eventos desportivos como La Route Du Rhum Destination Guadeloupe, Karujet (Campeonato Internacional de Jet-Ski), Traditour, Campeonato Internacional de Golfe, a Taça Davis em 2016, torneios internacionais de basquetebol e andebol, entre outros.

  • Guadalupe
  • Capital: Basse Terre
  • População: 393.640 Crescimento demográfico: – 0.3 / ano
  • Superfície: 1628,4 km²
  • Densidade: 243,1 habitantes / km2
  • PIB 2016: 8,8 M€
  • PIB per capita 2016: 22.121 €
  • Taxa de desemprego 2014: 24 %
  • Esperança de vida: 83.5 anos (mulheres) / 77 anos (homens)
  • Taxa de natalidade: 12.9
  • Taxa de fecundidade: 2,18 filhos / mulher
  • Taxa de mortalidade: 7,1

Fonte: Insee

Tecido produtivo

 

A Guadalupe possui uma economia moderna que tem vindo a mudar, de forma gradual, desde o início dos anos 90. Os setores tradicionalmente predominantes, como a agricultura, o pequeno comércio e a construção, têm sido substituídos por um setor privado dinâmico, dominado principalmente pelos serviços.

A ilha tem quase 40.000 empresas, que empregam a cerca de 47.000 pessoas.

Com base num novo modelo económico, a Guadalupe zela por um desenvolvimento sustentável e equilibrado do território, com a ambição de atuar agora para preparar o melhor para o futuro. De facto, a região está entre as regiões francesas com os melhores níveis em termos de criação de empresas, na sua maioria empresas muito pequenas, com uma média de cerca de 5.000 empresas por ano.

Apoiados por um forte compromisso com o desenvolvimento do crescimento verde e azul, a agricultura, a pecuária e a pesca são setores-chave que devem ser preservados e modernizados. Empregam 12% da população ativa da região e contribuem com 6% do produto bruto regional. A agricultura tem por base dois pilares tradicionais: a cultura da cana-de-açúcar e da banana.

A indústria do turismo tem sido favorável nos últimos seis anos, com o número de estâncias turísticas a aumentar.

Não obstante, a difícil situação económica de Guadalupe reflete-se em dois números significativos: a taxa de desemprego (23,7% da população ativa em 2015) e a taxa de cobertura das importações pelas exportações (6% em 1996); Guadalupe é a segunda região mais afetada pelo desemprego na União Europeia.

Turismo

 

Atualmente o turismo é um setor chave da economia de Guadalupe.

O turismo tem aumentado consideravelmente nos últimos seis anos, com 720.304 turistas, incluindo 234.304 turistas de cruzeiro. Em 2016, os visitantes gastaram mais de 600 milhões de euros no arquipélago, impulsionando desta forma a economia local.

Em 2017, a ocupação hoteleira foi excelente, com um aumento de 25% face a 2016. A promoção pública traduz-se, de uma forma geral, por uma atenção especial aos equipamentos, mas também na forma de ajudas diretas à renovação do parque hoteleiro, ajudas às pequenas estruturas de alojamento e atenção ao desenvolvimento do turismo de saúde, liderado pelo Hotel Arawak e pelo futuro centro de talassoterapia de Moule.

A abertura de novas rotas aéreas, como Pointe à Pitre-Montreal ou Pointe à Pitre-Atlanta, bem como a chegada de novas companhias aéreas como a Level ou a Norwegian, favorecem a acessibilidade e a atratividade do território e alavancam o objetivo regional de atingir um milhão de turistas, 1.000 milhões de euros de faturação (volume de negócio) e 1.000 novos postos de trabalho até 2020.

 

A abertura de novas rotas aéreas, como Pointe à Pitre-Montreal ou Pointe à Pitre-Atlanta, bem como a chegada de novas companhias aéreas como a Level ou a Norwegian, favorecem a acessibilidade e a atratividade do território. 

Transportes

 

Seja por via terrestre, aérea ou marítima, o transporte tem um lugar dominantes na Guadalupe, já que o arquipélago é formado por seis ilhas principais. Devido ao desenvolvimento dos espaços urbanos e ao aumento do número de veículos nas estradas, os pontos de congestionamento durante as horas de ponta multiplicam-se e intensificam-se. Nesse sentido, estão a ser feitas importantes obras de desenvolvimento de estradas para melhoria da rede.

Além disso, importa destacar que foi criada uma rede de autocarros urbanos com um alto nível de serviço em TCSP (Transporte Coletivo em Sítio Próprio) para facilitar as viagens entre os diferentes municípios.

Para descongestionar a rede viária, a exploração das rotas marítimas é uma solução óbvia. O projeto “Bus De Mer”, que deverá ser lançado em finais de 2018, permitirá a deslocação dos habitantes de Grande-Terre e Basse-Terre ao centro da ilha, bem como a sua interligação.

Seja por via terrestre, aérea ou marítima, o transporte tem um lugar dominantes na Guadalupe, já que o arquipélago é formado por seis ilhas principais. 

Energias renováveis

 

Devido à sua localização, o arquipélago beneficia de vários recursos energéticos locais que lhe permitem substituir completamente as fontes de energia fóssil: a geotérmica, que representa 4,69%, é produzida pela Central de Bouillante, primeira central de produção de eletricidade industrial na França; e a biomassa, que hoje representa 2,78%.

Guadalupe pretende afirmar-se como uma referência em termos de energia com o objetivo de atingir 50% das energias renováveis até 2030 e aperfeiçoar a sua transição energética ao conseguir uma autonomia energética em 2050. Esse desejo é ilustrado, em particular, pela instalação do maior parque eólico das Antilhas francesas, o Multi-mégawatt, no norte de Basse Terre. Além disso, os esforços levaram ao aumento da produção de energia renovável para 17,59% e ao aumento do número de instalações.

 

Agricultura

Apoiados por um forte compromisso com o desenvolvimento do crescimento verde e azul, a agricultura, a pecuária e a pesca são setores-chave que devem ser preservados e modernizados.

 

Guadalupe em fotos